DEXTER MORGAN É O ASSASSINO MAIS LEGAL, CATIVANTE E INTERESSANTE QUE JÁ EXISTIU
24/04/2011 23:02Ao ouvir as palavras da língua inglesa “serial killer”, logo pensamos em caras gigantes e deformados que saem matando pessoas adoidadamente e de jeitos muito bizarros. Ou em mascarados armados de facões que não param de te perseguir até que a sua cabeça esteja no chão bem longe do seu corpo. No entanto, os seriais killers não são tão caricatos, exemplos como os dados acima são dos chamados spree killers, ou matadores impulsivos, eles sim saem cortando pessoas a torto e a direito, e podem parar tão rápido quanto começaram. Basicamente seria estar no lugar errado, na hora errada e ser alvo da pessoa errada, como acontece na maioria dos filmes de terror de assassinos, como Leatherface ou Michael Meyers.
Então, o que seria um serial killer propriamente dito? Primeiro de tudo, um matador em série é diferente de um matador por impulso ou um matador em massa. Como foi explicado parágrafo acima, um matador impulsivo começa a matar do nada e pega a primeira pessoa que cruzar o seu caminho, já um matador em massa dirige sua fúria de uma vez só, num lugar só. Ele mata um grupo único, grupo esse que o oprimiu, rejeitou ou hostilizou. Se pegarmos como exemplo o primeiro Sexta Feira 13, a mãe de Vorhees é uma matadora em massa, já que fez o que fez com quem merecia. Já o seu pequerrucho não, ele se encaixa na categoria de impulsividade, pois sai matando os adolescentes curiosos de plantão, que sempre acabam entrando em Crystal Lake misteriosamente.
Um matador em série usa da emoção para se aproximar das suas vítimas, isso porque eles são incapazes de sentir remorso ou algum outro tipo de sentimento que os deixa mais “humanos”. Um serial killer é manipulador e tem uma coisa chamada de Distúrbio de Personalidade Anti-Social (APD), que costuma apresentar seus sintomas na faixa dos 15 anos de idade. Ou seja, um assassino em série não se adéqua as normas da sociedade e se sente recluso e excluído podendo apresentar agressividade e a falta de remorso previamente dita.
Contudo, os seriais killers mais perigosos são aqueles as quais nós cativamos, aqueles que dobram nossas emoções ao ponto de acharmos impossível pensar que eles poderiam matar até uma mosca, quando, na verdade, têm cabeças guardadas na geladeira. Eles podem ser de um casal apaixonado que sequestra, estupra e mata meninas – como o casal Karla Homolka e Paul Bernardo, a história dos dois virou filme em 2006, assistam, é muito bom -, até um perito em borrifos de sangue da polícia de Miami, como o caso do simpático e gentil Dexter Morgan. Sim! Se você acha que eu estou aqui discorrendo sobre seriais killers à toa se enganou, eu falei que o texto tinha um propósito e eu não menti. Essa “pequena” introdução foi só pra me aquecer, já que o livro a ser resenhado é ótimo e eu vou me empolgar na hora de destrinchá-lo para vocês.

Seu nível de carisma beira o de Ted Bundy, um dos assassinos mais temidos dos Estados Unidos que, mesmo sendo condenado à cadeira elétrica, conseguiu reunir uma legião de fãs – todas mulheres, e isso é o mais bizarro já que ele SÓ matava e estuprava mulheres – que o adoravam a tal estágio de irem assistir os seus julgamentos caracterizadas como suas vítimas. O negócio era tão sério a ponto de elas imitarem até os cortes de cabelo, sem falar nas pilhas e pilhas de cartas que Ted recebia na prisão de admiradoras e, auto-intituladas, esposas espalhadas pela América.
Mas estamos falando de Dexter Morgan e não de uma pessoa que existiu, o perito em borrifos de sangue da polícia de Miami é o protagonista da trilogia escrita por Jeff Lindsay, que deu origem a uma das séries de TV mais aclamadas e legais da atualidade. Dexter - A Mão Esquerda de Deus nos mostra o outro lado da mente de um serial killer e não foca somente no fato deles serem considerados monstros pela sociedade, ou serem máquinas de matar calculistas e meticulosas. De fato, Jeff expõe que não somente eles precisam viver em sociedade como também precisam se esconder dentro dela; e aí você fica com a dúvida: como uma pessoa que é desprovida de reações e emoções propriamente “humanas” consegue se infiltrar e passar por normal sem que ninguém desconfie?
Para muitos, fazer amigos, arranjar uma namorada ou ter uma boa relação com os seus colegas de trabalho é fácil, mas não para Dexter. Frio e totalmente lógico, ele depende de sua capacidade de observação e inteligência para apresentar um comportamento tido como normal, mesmo que isso o leve a contar piadas onde ele não vê graça, e até mesmo flertar com a sua supervisora, a detetive Laguerta, quando sexo é a última coisa na qual ele pensa.
E, se ter que lidar com outras pessoas e manter as aparências no trabalho não fosse o suficiente, Dexter tem uma irmã adotiva que também trabalha na polícia como investigadora, Débora Morgan. Ou seja, ele precisa estar em estado de alerta 24 horas por dia. No entanto, o que difere o protagonista da obra dos demais assassinos é o seu modus operandi e o seu código de conduta, ou o “Código de Harry”.
Pra quem não sabe, modus operandi é o modo como os assassinos matam suas vítimas: se eles preferem estrangular, atirar ou picar e fazer estrogonofe depois. Devido a mania de limpeza de Dexter, as vítimas são devidamente sedadas, presas numa maca completamente esterilizada, assim como o resto do local, desmembrados, colocados em sacos de lixo e jogados no mar. Para isso Morgan usa de tranquilizantes fortíssimos, plástico, provas comprometedoras a respeito das atividades da vítima, seu arsenal de facas, lâminas e bisturis, sua lancha e é claro o seu posto na polícia forense de Miami.
É comum para os serial killers levarem troféus ou souvenires de suas vítimas para casa, a idéia é que assim possam admirar o trabalho bem feito e sentirem-se bem consigo mesmos. Com Dexter não é nem um pouco diferente, só que ao invés de colecionar cabeças como faz o também assassino fictício Kevin - da incrível obra de Frank Miller, Sin City - , Morgan coleciona lâminas de laboratório com uma gota de sangue de cada vítima que ele matou. De novo, a mania de organização e limpeza, afinal um pedaço de vidro é muito mais fácil de guardar do que várias cabeças de prostitutas.
Por: Beatriz Paz / https://www.nerdssomosnozes.com
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